Importante no cenário do radio pernambucano e brasileiro, Aldemar Paiva é um Radialista, Jornalista, Publicitário, Cronista, Cordelista, Poeta, Compositor de fresos famosos e Humorista de sucesso que teve por 25 anos em liderança absoluta de audiência no Nordeste o programa "Pernambuco Você é Meu", conquistando prestígio até no exterior tornando-se um ícone da radiodifusão brasileira, Aldemar atualmente escreve uma coluna semanal para um Jornal de Brasília chamado Fatorama, com seus 87 anos de idade a aposentando há quase 30, nos cedo um entrevista calorosa e fala sobre suas experiências na rádio pernambucana e sobre sua visão quanto ao futuro do veículo.
- Como começou essa sua história envolvendo a Rádio?
Bom o cenário que irei descrever, remonta como cheguei aqui, numa noite de chuva, 29 de junho, vim a chamado da radio clube para substituir Chico Anysio, ele tinha um contrato com a radio clube e a desistência de seu contrato implicava em uma multa, que era alta, ou então ele chamava alguém para produzir e ficar no lugar dele na rádio, então José Renato da radio clube foi me buscar em alagoas, foi assim que me trouxeram, pelo meu trabalho que já era realizado em Maceió com a fundação feita por mim da Radio Difusora de Alagoas, e gostaram da minha performance fazendo meu ofício, e assim cheguei a recife, com um belo convite de trabalho da Rádio Clube de Pernambuco.
- Houveram outras grandes experiências profissionais?
Eu estou fora do radio a muito tempo, passei a trabalhar mais em televisão depois do advento da TV, no canal 6, 2 e Rede Globo, na Globo indo gravar diversos programas, participei 1 ou 2 vezes do som brasil, Praça da Alegria, Chico Anysio, escrevi durante muito tempo para Chico que era meu grande amigo, em 1983 me aposentei e assim passei a dar palestras sobre rádio e shows de comédia e causos, que sempre foram minhas paixões.
- Como aconteceu sua acensão na Rádio Clube, como surgiram as oportunidades?
Quando cheguei no Rádio Clube de Pernambuco, fui apresentado a toda instalação, que era totalmente diferente da que eu estava acostumado na Rádio Difusora de Alagoas, na Clube tinha uma Banda da Polícia Militar, departamento de Rádio Teatro, Músicoteca e tudo o que uma rádio de grande porte precisasse, Então Nelson Ferreira, me falou, que tinha um horário vago na grade e a empresa gostaria que eu produzisse algo para ocupar, aceitei de imediato, comecei a escrever o programa e escolher o cast dele, chamei o programa de "Jardim de Flores Raras", inspirei-me numa valsa do próprio Nelson para criar o nome do programa, depois de apresentado a diretoria gostou do original, que era gravado e depois fazia-se quantas cópias fossem necessárias, logo depois fui me informar quando o programa poderia começar a ser produzido para ir ao ar, até que a diretoria me fala, "o programa irá ao ar hoje, as nove da noite!", eu mesmo apresentei o programa e foi assim que comecei na rádio Clube de Pernambuco. Deu certo! Três meses depois fui promovido a produtor do rádio e do departamento, assim comecei a realizar funções da minha área artística pelo o que o rádio dispunha.
- Qual era a Relação entre a Rádio em Pernambuco e os olhos do grande mercado nacional que eram as emissoras do sudeste?
Assis Chatubreand e os diários associados, sempre teve um grande carinho pela rádio Clube em especial, ela a chamava de "minha gaivota dourada, minha linda, um dia trago essa gaivota para mim!" e foi mais ou menos quando eu cheguei que ele adquiriu a Rádio Clube de Pernambuco, e foi aí que houve uma mudança geral, na produção do conteudo local, que ja não devida nada a nenhuma emissora do sudeste.
- "Pernambuco você é meu", como foi a experiência de ter o comando desse programa que ficou por tanto tempo em liderança de audiência e até hoje ser citado como ícone do rádio no brasil?
Bom, quando mais uma vez me pediram para produzir um programa, foi diferente dos programas "Festa no Varandão" e "Jardim de Flores Raras", dessa vez eu pedi o horário da manhã de 07:30 às 09:00, e essa decisão foi polêmica, porque a diretoria achava que não iam se interessar em ouvir um programa de manha, não iriam levantar para apreciar, mas foi aqui eu eu expliquei que eu não queria acordar ninguém, mas sim proporcionar entretenimento e informação à aqueles que estavam no seu trabalho, levando o filho para a escola, abrindo o comércio, enfim, os que já estivesses no pique do cotidiano, depois de conformados perguntaram-me como seria esse programa, até que eu disse que não haveria um script definido, seria um programa feito por prazer, no momento, de "boça", foi quando surgiu a interrogação na diretoria, qual seria o nome? Então respondi, "Pernambuco você é meu", todos adoraram , disseram ser um ótimo nome e então deixaram-me livre para fazer o programa no horário que eu desejasse. Então comecei o meu programa, no qual eu falava nas pessoas que gostavam de ser faladas, de ser divulgadas, e isso fez parte da formula do sucesso do programa, foi quando surgiram os anunciantes que tinham o interesse de propagar seus comerciais durante o programa de tamanho o sucesso dele.
- Foi nessa época que surgiu sua fama de "Ensinar o pernambucano a tocar e cantar Frevo?"
Sim, como o programa era extremamente voltado a cultura popular e ao povo de pernambuco, tocávamos freve quase que o tmepo todo, compus muitos frevos e também os utilizava, quando chegava setembro outubro, já estávamos vivendo o carnaval do Recife na rádio com o "Pernambuco você é meu".
Os Jornalistas Ana Luíza Madeiro e Brenno Costa realizaram um documentário sobre o programa "Pernambuco você é Meu", assista logo abaixo:
- Uma História interessante durante o Pernambuco você é meu...
O Rádio clube tinha um alcance monstruoso com as suas ondas curtas, então eu fiz um casamento entre uma moça da cidade com seu noivo que estava na África Ocidental, ele me mediu para que eu falasse sobre ela no programa, eu fiz mais, chamei ela e ela mesma falou com ele no ar, duas semanas depois ele chegou num navio com uma motocicleta, casou-se com ela e trabalhou num emprego que a radio tinha arrumado, ou seja, eu recebia cartas e ligações do mundo inteiro, a Rádio clube dava show e ainda dá em termos de cobertura.
- O Rádio será substituído, em sua opinião?
Não, por hora pelo menos, não! Não tem como, é incabível, a TV chegou e todos fizeram essa promessa, só que por mais que haja a agilidade na notícia e a cobertura em quase todo o globo, a televisão não tem o imediatismo do rádio, se acontece algo eu ligo para uma rádio e informo, se for importante eles podem até por minha ligação no ar, na TV não tem como fazer isso, hoje em dia as câmeras gravam e enviam para o estúdio, mas mesmo assim o recurso do videotape é fundamental, perceba que até as chamas ao vivo dos plantões de notícias são em sua maioria realizadas por ligações telefônicas, então para mim, por hora, não! O Rádio não será substituído!
Não tem foto do entrevistado!
ResponderExcluirEsse vídeo foi autorizado pelos autores para está presente no blog?